segunda-feira, 13 de junho de 2011

Depois do inicío...







Enquanto todos dormem
Eu comungo com minha dor enorme
Amparado pela sombra da asa de um corvo
Que de mau agouro me cativa a morte
Fiz da felicidade uma doença
E da tristeza minha sorte
No colo da mãe terra estendido como alimento
Oferecido entrego meu espírito
Agora sou adubo
Para os que anseiam a vida
Ignorantes suicidas
Lutadores de causas perdidas
que acreditam no amor
Feliz o homem que conhece a morte
Antes que esta o beije
Fiz de mim uma sombra escura
E corvo a morte me tornou...

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2 comentários:

Diogo disse...

Há algo fúnebre demais nesses versos, uma sombra tristonha e até meio profética. Algo que arrepia a alma, faz a minha epiderme é ficar dormente de medo. Eu diria que aqui, nesses versos, o nobre poeta foi é picado por algum tipo de melancolia disfarçada de marimbondo. Nunca vi um corvo na vida, já vi muito urubu e vivia contando eles no céu: carta, convite e casamento. Coisa de gente da roça. Acho que fazíamos isso para afastar a sombra cadavérica que eles representam. Estou adorando o Quintal, tem cada preciosidade aqui.

Ana Paula Saab disse...

Belíssimo! Belíssimo! Não há nada de sombrio. Melancólico, como é parte da nossa alma de humanos.